Projeto do CEB na área das Energias Renováveis entre os vencedores da 1ª edição do Concurso Nacional de Inovação BES

Equipa vencedora: Alcina Pereira, Merijn Picavet, Ana Júlia Cavaleiro, Diana Sousa, Profª Madalena Alves

Esta é uma iniciativa do Banco BES, em parceria com a Fundação Ilídio Pinho e com a Siemens Portugal e com mais dez parceiros nas áreas da Ciência, Tecnologia e Inovação e nas vertentes académica e empresarial, nomeadamente as Universidades do Minho; de Trás-os-Montes e Alto Douro; do Porto; de Aveiro; Católica Portuguesa – Escola Superior de Biotecnologia; de Coimbra; da Beira Interior; Técnicas de Lisboa e Algarve; Instituto Politécnico de Leiria, e o TECMAIA – Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, S.A..

Um total de 211 candidaturas de projectos científicos, académicos e de investigação foram submetidos a esta primeira edição do Concurso Nacional de Inovação BES. Nesta primeira edição do Concurso Nacional de Inovação BES, foi aberto concurso para projectos nas seguintes cinco áreas: Energias Renováveis, Saúde, Economia Oceânica, Processos Industriais, Fileira Florestal.

Seleccionados em função do seu carácter inovador e do seu grau de excelência científica, cada um dos prémios por área tem um valor total de 60.000 euros, subdividido em três componentes distintas: prémio pecuniário, no valor de 25.000 euros; apoio para registo de patente ou outra forma de protecção de propriedade intelectual, no valor de 10.000 euros; estudo de viabilidade do negócio, no valor de 25.000 euros, executado pelo BES. No primeiro trimestre de 2006, os projectos vencedores serão apresentados num “road-show” que se realizará em diferentes localidades do país.

O Prémio foi entregue no passado dia 5 de Dezembro de 2005 no Pavilhão de Portugal.

Resumo do Projecto Premiado

Nome do projecto: Tratamento anaeróbio de efluentes complexos contendo gorduras

A presente proposta descreve uma nova tecnologia que permite a produção optimizada de uma fonte de energia renovável associada ao tratamento de efluentes com elevados teores de gordura. A tecnologia inovadora, detida pela equipa proponente, denominada "Reactor Anaeróbio de Manto de Lamas Invertido", pode ser associada a uma tecnologia emergente em que o biogás sofre um processo de “reforming” para produzir hidrogénio que alimenta uma “fuel cell” para produção limpa de energia eléctrica. Esta tecnologia é já uma realidade disponível comercialmente, mas ainda carece de competitividade económica. Desta forma, associam-se dois vectores incontornáveis da sociedade sustentável que são o controlo da poluição e a produção de (bio) energia a partir de fontes renováveis.

Quando um efluente é tratado biologicamente na ausência de oxigénio promove-se, num ambiente tecnologicamente apropriado, a acção de um consórcio complexo de microrganismos que converte os compostos orgânicos em biogás. O biogás, essencialmente constituído por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), é uma fonte de energia renovável versátil, que pode ser usada de variadas formas nomeadamente: injecção em redes de gás natural, utilização em sistemas de co-geração, produção de calor, utilização como combustível automóvel. O biogás pode também ser transformado em hidrogénio para ser usado em “fuel cells”.

A tecnologia de tratamento anaeróbio tem sido aplicada com sucesso ao tratamento de efluentes industriais de vários tipos, incluindo de cervejeiras, indústria de papel, indústrias alimentares, etc. Contudo, a aplicação desta tecnologia está limitada a efluentes pouco complexos, com poucos sólidos em suspensão e sem a presença de gorduras. Assim, e embora os lípidos sejam uma das fracções mais importantes da matéria orgânica presente nos efluentes industriais e possuam um elevado potencial energético, eles são geralmente removidos do efluente, usando tecnologias não sustentáveis que consomem energia. O desenvolvimento de uma tecnologia anaeróbia aplicável a efluentes industriais complexos com elevados teores de gordura constitui o objecto de inovação central da presente proposta.

Mais detalhes: