Em comunicado, fonte da Universidade do Minho (UM) – que participa no projecto através do departamento de Engenharia Biológica, em parceria com a Escola Superior de Biotecnologia da Católica – adianta que a primeira reunião do consórcio decorrerá segunda e terça-feira, no Porto e em Braga.
O consórcio internacional envolve também instituições do Reino Unido, Espanha e Rússia.
Segundo explica a fonte, o objectivo é tentar encontrar uma alternativa ou complemento aos antibióticos usados nos aviários e que acabam por entrar na cadeia alimentar.
«Sendo o consumo de frango a principal fonte de proteínas animais em Portugal, os potenciais resultados do projecto podem ter um grande impacto quer económico, quer na saúde pública», sustenta.
Em causa está a procura de uma terapia alternativa, baseada em bacteriófagos, para o combate de contaminações por bactérias “Salmonella” e “Campylobacter”, que frequentemente infectam os frangos.
De acordo com a fonte da UM, os bacteriófagos são organismos que se «alimentam» selectivamente de bactérias específicas e que podem ser produzidos para utilização em rações ou directamente pulverizados no ambiente dos aviários.
A sua utilização está «bem documentada há muitos anos», mas «não tem ainda aplicação industrial e é uma área de conhecimento emergente».
Neste projecto, que tenta utilizar de forma terapêutica estes organismos, estão envolvidos as universidades de Santiago de Compostela e de Bristol, o State Institute for Genetics and Selection of Industrial Microorganisms e duas empresas – a Leatherhead Food International e a Necton-Companhia Portuguesa de Culturas Marinhas.
Segundo salienta a UM, o projecto possui «uma forte componente empresarial», com o objectivo de «tirar partido de uma rede internacional de contributos».
Assim, estão envolvidas, através da participação num conselho consultivo, potenciais empresas utilizadoras da tecnologia a desenvolver, assim como as principais empresas produtoras de rações para frangos e de aves e aviários a nível europeu.
De acordo com a fonte, caso venha a ser demonstrada a aplicabilidade da utilização terapêutica de bacteriófagos nos frangos, os parceiros do projecto prevêem expandir a actividade a outras áreas de interesse veterinário, como a aquacultura, a pecuária e outros domínios de produção animal.
[29/01/2005 - 09:07] [Lusa]