Um investigador da Universidade do Minho (UM) desenvolveu, recentemente, um conjunto de ferramentas informáticas de análise de imagem e processamento de dados para diagnóstico, supervisão e controlo de processos biológicos de tratamento de efluentes em estações de tratamento de águas residuais (ETAR’s). Desta forma, conquistou o Prémio CUF - uma distinção atribuída a teses de doutoramento na área da engenharia química com aplicação na indústria nacional.
Eugénio C. Ferreira, membro do Centro de Engenharia Biológica da UM e orientador de António Luís Amaral, vencedor do concurso, salienta a importância de um projecto multidisciplinar como este a nível ambiental e nacional. “A análise da imagem irá permitir a detecção precoce e microcóspica de um eventual desvio nas condições de operação do sistema de tratamento e facilitará a comparação entre os parâmetros morfológicos de agregados microbianos e bactérias filamentosas e os dados operacionais em digestores anaeróbios e tanques de arejamento”, refere.
Vantagens que se revelam na aquisição do aumento da capacidade produtiva das estações, uma vez que o acesso a esta ferramenta de trabalho propicia a identificação e monitorização atempada das condições e dos problemas de operação das ETAR’s, nomeadamente ao nível “da composição e propriedades de sedimentação da biomassa presente”, explica este responsável. Além disso, “facilitam a separação das lamas do efluente líquido final e, consequentemente, ampliam a qualidade do mesmo no fim do circuito de tratamento”.
Técnicas inovadoras que, simultaneamente, ajudam a diminuir a percentagem relativa ao número de vezes em que os tanques de arejamento e os sedimentadores para limpeza são, temporariamente, obrigados a encerrar, uma vez que a informação previamente recolhida através da análise da imagem indica, antecipadamente, ao operador quais os desvios nas condições normais de operação.
De acordo com Eugénio Ferreira, a aplicação prática da tese é vantajosa não só em termos económicos, mas também na forma como permite poupar tempo e “aumentar a qualidade,” quer dos sistemas de tratamento, quer do próprio ambiente, uma vez que a maior parte dos efluentes são lançados em meio hídrico e representam um impacto negativo a nível ecológico. As técnicas desenvolvidas por A. Luís Amaral contribuem ainda para dar a conhecer, às ETAR’s, a morfologia dos agregados microbianos, que de outra forma ficariam por descobrir.
A colaboração de diversas estações de tratamento nacionais, nomeadamente da AGERE- Empresa Municipal de Águas, Efluentes e Resíduos de Braga, e estrangeiras, designadamente de França, foram fundamentais para a validação da tese e, posterior, atribuição do Prémio CUF.