A vontade de ir mais além das saídas tradicionais
levou a original equipa de três colegas, a começar a aproveitar os seus
conhecimentos técnicos para fazer acções de formação profissional muito
específicas. Ao longo dos três próximos anos, enquanto iam avançando no
sistema educativo para mestrados e doutoramentos, multiplicaram-se na
leccionação de cursos técnicos até que, no ano passado, atingiram um
volume de negócios significativo, explicou uma das sócias-gerentes, Lígia
Rodrigues.
Com o final do doutoramento a aproximar-se, decidiram no início deste ano
aproveitar os apoios dados pela incubadora da empresas BIC Minho para
formalizar a constituição de uma sociedade por quotas, com o capital
social mínimo exigido, de cinco mil euros. Para diversificar a oferta de
serviços, acolheram a bordo um quarto elemento, especializado na área
ambiental.
Na prática, a Biotempo tem apenas quatro curtos meses, mas a ambição das quatro empresárias foi suficiente para que a própria Universidade do Minho as chamasse a relatar a sua experiência numas jornadas destinadas a promover o empreendedorismo na área da biotecnologia. Lígia Rodrigues descreveu perante algumas dezenas de quase-licenciados como surgiu a ideia da criação da empresa (durante uma viagem de regresso a Braga) e os primeiros tempos no BIC Minho, uma incubadora bracarense. A especificidade do ramo de actividade da Biotempo, contudo, levou-a a procurar apoio da Tecminho, também uma incubadora mas com uma vertente mais tecnológica.
Nos primeiros tempos, Lígia Rodrigues admite ter
que continuar a aceitar sub-contratações para fazer formação profissional
avançada (por exemplo em empresas) como meio de sustentar financeiramente
a empresa, mas não é essa a sua maior ambição. No fundo, como é de esperar
em pessoas que se formam nas áreas tecnológicas, pretendem fazer
investigação. Como os recursos são escassos e o equipamento caro, a
Biotempo assina parcerias com várias entidades, como a própria
Universidade do Minho, que lhe permitem utilizar as suas instalações e
equipamentos. Da sua parte, entra no negócio com conhecimentos técnicos
nas áreas da biotecnologia e engenharia de bioprocessos.Para além do segmento marginal da formação
profissional, a Biotempo trabalha em duas áreas principais. Primeiro, a
biotecnologia alimentar e farmacêutica, onde esperam prestar serviços de
diagnóstico e consultoria, como o estudo de novos processos, equipamentos
ou produtos, análise de processos já existentes, implementação de sistemas
de qualidade, aplicação de ferramentas matemáticas e informáticas e
consultoria na área da monitorização e controlo de processos
biotecnológicos.