Manuel Mota alertou os estudantes de Engenharia Biológica e os jovens
biólogos para a necessidade de combater a mentalidade de acomodismo e de
aproveitar as novas oportunidades que a biotecnologia oferece.
“As oportunidades de negócios criam-se”, alertou dando como exemplo as
grandes empresas farmacêuticas que compram patentes a peso de ouro.
Um caso exemplar deste tipo de oportunidades de negócio aconteceu com o
criador do PCR (serve para decodificar o genoma humano), que, além do
prémio Nobel pela sua criação, hoje está milionário devido à descoberta.
“É a demonstração de que a Biotecnologia tem imensas oportunidades de
desenvolvimento, que a juventude deve saber apro-veitar”, frisou o
presidente da SPB, que considera os jovens biotecnólogos “a espinha
dorsal” do futuro da sociedade.
Se o presidente da SPB alertou os jovens estudantes e biotecnólogos para a
importância de não estagnar na procura de conhecimentos —que constituem
óptimas oportunidades quer de negócio quer para melhorar o futuro da
sociedade— também houve quem falasse concretamente do empreendedorismo e das
dificuldades que podem surgir aos jovens empreendedores.
Partindo da afirmação de que “o empreendedorismo está na moda”, Avelino
Pinto, representante da Tecminho-Guimarães deixou no ar algumas ideias que
permitem perceber de que é que se está a falar concretamente quando se
menciona o empreendedorismo.
“Empreendedorismo —Casos de sucesso em Engenharia Biológica” foi o tema da
conferência que Avelino Pinto proferiu nas Jornadas de Engenharia
Biológia, ontem à tarde.
Avelino Pinto partiu da ideia de que “acima de tudo, os empreendedores têm
um avisão e reconhecem oportunidades onde outros nada vêem”. O
empreendedorismo é assim “um saber aproveitar das oportunidades”.
Porém, o facto de se ser empreendedor não significa ter sucesso, dado que
são muitos os obstáculos que é necessário transpor.
Avelino Pinto refere que o primeiro problema pode surgir logo com a falta
de objectividade da ideia, isto é, a ideia é imprecisa e o conceito de
negócio mal definido ou inexistente.
Outros problemas graves podem surgir quando o próprio empreendedor não
está totalmente empenhado, revela inexperiência no sector e falta de
conhecimento das necessidades do consumidor e das regras do mercado ou
reúne uma equipa deficiente ou com falta de coesão.
A falta de recursos suficientes, a impossibilidade de proteger o produto
da concorrência e a não preparação de um plano de negócios são outras
causas de insucesso.
É neste contexto que surgem as chamadas “incubadoras”, que “contribuem
para evitar a morte prematura de projectos válidos e consequentemente
ajudando na dinamização do tecido empresarial e no desenvolvimento
económico do país”, referiu.
O representante do Tecminho salientou que “a taxa de insucesso de firmas
incubadas é inferior à de firmas não incubadas”, tal como as firmas que
deixam a incubadora após um período de cerca de três anos a-presentam uma
taxa de sobrevivência superior aos 80%.
Porém, Avelino Pinto reconhece que alguns empreendedores têm uma imagem
negativa das incubadoras.
O representante do Tecminho tentou modificar essa ideia enumerando alguns
dos serviços que estas incubadoras oferecem aos empreendedores: plano de
negócios, serviços de consultadoria, formação, partilha de serviços
administrativos, “networking” entre clientes, promoção junto da comunidade
e apoio no acesso à informação, entre outros.
Um exemplo destas incubadoras é o Businesse Inovation Centre do Minho
(BIC-Minho) —que além de promover o empreendedorismo e a inovação, de
fomentar a criação de negócios com características inovadoras e de apostar
na redução da taxa de insucesso empresarial— tem por missão funcionar como
um centro de incubação para empresas, disponibilizando infra-estruturas
(concretamente espaços para a incubação de empresas) e serviços para
apoiar potenciais empreendedores.