Manuel Mota, director do departamento de Engenharia Biológica, perspectiva grandes desenvolvimentos na área da saúde e na área das novas formas de controlo da poluição. Explicando que “a Biotecnologia da primeira metade do século XX estava voltada para a indústria da fermentação”, quer na área alimentar da produção de queijos, iogurtes, cervejas, quer na produção de antibióticos e que na segunda metade se voltou para a agricultura e a biologia, com os trangénicos, as hormonas e a insulina sintética, este investigador prevê que “no século XXI a biotecnologia estará voltada para a resolução dos problemas das indústrias pesadas e químicas altamente poluentes e agressoras do ambiente”.
A par da área da saúde, que continuará a ter um progresso muito forte, “as celusoses, a indústria, dos curtumes, as petrolíferas e as metalomecânicas serão os sectores alvo da biotecnologia e as grandes beneficiadas com os seus progressos – sustenta Manuel Mota. Este professor da UM constata que “já existe muita tecnologia implementada e experiências piloto a decorrer, pelo que dentro de 10 a 15 anos as novas tecnologias de controlo e reaproveitamento de resíduos estão implantadas massivamente nas grandes indústrias”.
Questionado sobre o grau de interesse por parte da indústria pesada na implementação dos novos processos mais amigáveis para o ambiente, Mauel Mota mostrou-se optimista, “já que a regulamentação nos países desenvolvidos é bastante restritiva e as próximas empresas terão vantagens económicas com muitos destes processos – referiu.
Tecidos humanos artificiais
A engenharia dos tecidos humanos é outra área de ponta com cerca de dez anos de investigação e que “conhece actualmente desenvolvimentos fantásticos”, que pareciam só ser possíveis na ficção científica – sustenta Luis Marcelo Pereira, que vai fazer uma conferência exactamente nesta área de investigação.
“Desde o isolamento e cultura de células in vitro do dador para utilização futura, como a pele para casos de queimados a cartilhagens para suprir processos degenerativos irreversíveis, ao desenvolvimento de biorectores implantáveis capazes de produzir insulina – refere Luis Pereira , investigador da Universidade de Lisboa, que também vai participar numa aula aberta, “os resultados que vão sendo publicados apenas nos deixam antever o que de inimaginável nos reserva o futuro próximo – conclui o investigador.
Restrição aos transgénicos terá consequências
Os recentes desenvolvimentos da regulamentação internacional acordados na última reunião internacional em Toronto, Canadá, com estabelecimento do princípio de soberania dos estados quanto à importação de alimentos geneticamente modificados, não é necessariamente positivo, já que, refere Manuel Mota, “terão seguramente consequências negativas a nível económico”.
Sobre o acordo de Toronto, que o Governo português apresentou como uma vitória da Uniâo Europeia, não é certo que surta grandes efeitos já que, notou o investigador, “os EUA e a China não o subscreveram”. Como grandes potências económicas e populacional que são respectivamente “poderão continuar a desenvolver trangénicos ou, no caso da China, importar a tecnologia mais desenvolvida que porventura exista noutros países”, ganhando com isso vantagem no comércio internacional.
Envolver alunos do Secundário
Nem só de problemas científicos vive a semana de biológica, sendo de referir os concursos e questionários destinados aos alunos do secundário, que pretendem divulgar a licenciatura de Engenharia Biológica e sensibilizá-los para alguns dos problemas éticos e científicos que enfrenta a investigação científica nesta área. Neste sentido, “alguns grupos de alunos finalistas vão às escolas da área de Braga contar as suas experiências e falar de aluno para aluno – disse Joana Azeredo, professora deste curso.
Do programa da Semana de Engenharia Biológica destacam-se, na terça-feira, dia 22, a aula aberta “O dia-a-dia dos biofilmes no dia-a-dia do ser humano”, pelas 14H30 por Luis Melo e a conferência “Engenharia dos tecidos humanos”, que será proferida pelas 15H00, por Luis Marcelo Pereira. Será apresentado um artigo científico da autoria de Manuel Mota sob o tema “A biotecnologia do próximo milénio”.