O vinho verde da zona minhota está a ser estudado no âmbito de três projectos de investigação científica a cargo da área de biologia da Universidade do Minho, informou a professora Cecília Leão.
Neste sentido, acrescentou, a Universidade do Minho, mantém contactos com a Adega Cooperativa de Ponte de Lima, “uma das mais importantes da região”.
Por um lado, os projectos têm em conta a videira e, por outro, a optimização da fermentação alcoólica da produção do vinho.
Relativamente à fermentação alcoólica em si, está a ser estudado o efeito de produtos finais resultantes.
Segundo Cecilia Leão, estes produtos podem, depois, “exercer um papel de toxidade sobre os microorganismos que estão na base da fermentação alcoólica – as leveduras”.
Neste âmbito, estuda-se o efeito do etanol (álcool etilico), que é o produto mais importante do vinho, e também os outros subprodutos, como o ácido acéptico, na viabilidade das células das leveduras responsáveis pela fermentação alcoólica.
A equipa que estuda os projectos preocupa-se também com a problemática do ácido málico, um produto que causa acidez ao vinho.
A acidez do vinho é um parâmetro que dita, em grande medida, a qualidade do mesmo, disse à agência Lusa, Cecília Leão, salientando que o produtor pode desejar um vinho mais ou menos ácido.
Os investigadores elucidam sobre os mecanismos de base que podem conduzir a uma degradação do ácido málico por processos biológicos, desde que o produtor de vinho o solicite.
Em ordem a este objectivo, está em estudo um projecto designado por “transporte e utilização do ácido málico em leveduras de interesse vinicola”.
O projecto relacionado com a videira intitula-se “A biotecnologia vegetal no melhoramento das castas do vinho verde – aplicação de técnicas de cultura in vitro”.
O objectivo fundamental deste projecto prende-se, basicamente com a obtenção e eliminação, se possível, das viroses das videiras das castas principais de vinho verde.
Para
conseguir esse objectivo, utiliza-se a técnica da mictopropagação, de
forma a tornar possível, a curto prazo (três anos), minimizar essas
viroses e produzir castas de vinho verde resistentes às principais doenças,
nomeadamente a nó curto e o enrolamento.
As castas em estudo são a loureira e o vinhão.