Secretário de Estado visitou laboratórios de Engenharia Biológica - Governo recolhe na UM contributos para plano nacional

 

Recolher contributos para o Plano Nacional de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Biotecnologia, que deve estar aprovado até ao fim do ano. Este foi o objectivo de uma visita que o secretário de Estado Adjunto da ministra da Ciência e do Ensino Superior, Jorge Moreira da Silva, fez ontem aos laboratórios de Engenharia Biológica e Biologia da Universidade do Minho (UM).

O membro do executivo disse saber, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia, «que a investigação que se faz na Universidade do Minho regra geral é de grande qualidade, em particular nesta área da biotecnologia. Tenho comprovado, pelas conversas que tenho tido com os investigadores, que isso se verifica na prática», afirmou.

Jorge Moreira da Silva notou «um grande entusiasmo por parte dos investigadores, uma boa ligação, que deve ser aumentada, às empresas da região e uma vontade de incubar nas empresas alguma investigação que hoje é feita nas universidades».

«É importante que as empresas desta região percebam que a investigação não pode estar apenas centrada nas universidades. Deve estar, cada vez mais, presente na indústria, dado que é a única forma de ser competitivo».

«Espero que nesta região, que é uma região pujante no plano industrial, possamos dar o salto para uma nova geração de competitividade nas empresas, à custa de investigação dentro da empresa, na relação com as universidades e com os mercados financeiros», frisou.

Falando sobre o périplo que está a fazer, o membro do Governo referiu que nos últimos cinco meses já reuniu com mais de 900 investigadores, tanto nas universidades como nas empresas.

«Com base nestes contributos, avançaremos, com o Ministério da Economia, para a constituição de um grupo de trabalho entre dois ministérios e até ao fim do ano teremos aprovado o Plano Nacional de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Biotecnologia».

«Todos os anos esse plano será aferido. Não vamos lançar um plano que não seja monitorizado nem avaliável», explicou.

O governante disse que se pretende que o plano «identifique o potencial de crescimento da biotecnologia em Portugal, as barreiras a esse crescimento, que têm que ser removidas, e metas concretas, que têm que ser cumpridas, da parte do Estado, empresas e unidades de investigação, ao nível da formação, financiamento, patentes, transferência da tecnologia e legislação a produzir».

«Numa área que é estratégica para o país, estamos a procurar encontrar uma metodologia nacional, que agregue investigadores, empresas, mercados financeiros e o Estado, de forma a tornar Portugal um país de referência na área da biotecnologia».

Jorge Moreira da Silva pensa que esta «não é uma utopia», porque o nosso país tem, «nos últimos anos, uma taxa elevada de formação de doutorados nesta área. Portugal foi um dos países que mais formou doutorados em biotecnologia nos últimos anos. Temos que aproveitar esta massa crítica que está a ser criada e lançar novas metodologias de organização e de gestão, uma nova orientação ao nível do financiamento à investigação, ao desenvolvimento e à inovação, mas também encontrar metas muito concretas para a investigação aplicada».

O secretário de Estado Adjunto da ministra da Ciência e do Ensino Superior pensa que «Portugal tem potencial de crescimento ao nível da biotecnologia».

«Nós identificamos a biotecnologia como área estratégica», nomeadamente «ao nível do bem-estar das populações, dado que é a biotecnologia que permite que nas áreas alimentar, ambiental e da saúde, a condição de vida das pessoas melhore».

«Mas é também uma oportunidade de competitividade para a nossa economia, dado que a biotecnologia é, a par das tecnologias de informação e comunicação, uma área de ponta na transferência entre ciência e competitividade e, portanto, de crescimento económico».

Diário do Minho, 7-05-2004 [Cláudia Pereira]