Engenharia Biológica da UM vai ter mestrado europeu

As Universidades do Minho, de Santiago de Compostela e mais três estabelecimentos de ensino superior vão criar um mestrado europeu em Engenharia Biológica, na área ambiental. Para além deste mestrado, o curso de Engenharia Biológica da UM, actualmente com licenciaturas em dois ramos, conta abrir daqui a dois anos um terceiro ramo na área da Biotecnologia.

Estas novidades foram ontem reveladas ao Diário do Minho durante a sessão comemorativa dos 20 anos de Engenharia Biológica na Universidade do Minho que decorreu ao longo de toda a tarde no Campus de Gualtar e juntou antigos e actuais alunos, professores e funcionários.

Um dos intervenientes presentes nesta sessão foi Juan Lema, da Universidade de Santiago de Compostela, que à margem do encontro, revelou estar neste momento em preparação um mestrado europeu em Engenharia Biológica, no âmbito do ambiente.

Sem querer adiantar pormenores, o docente disse apenas que este mestrado envolve a Universidade do Minho, a Universidade de Santiago de Compostela e mais três universidades europeias. «Estamos a trabalhar nele e a ideia é fazer um balanço da situação presente e incidir especialmente nas tecnologias e ferramentas de gestão ambiental que são necessárias para nos movermos no século XXI no âmbito ambiental. Neste momento há cinco universidades interessadas em construir esta rede e temos que trabalhar», disse.

Sobre a Engenharia Biológica da Universidade do Minho, Juan Lema disse que este é já um departamento de referência na Europa. «É um verdadeiro milagre ver como um departamento, que nasceu há tão pouco tempo, soube em poucos anos impor-se no meio científico e tecnológico europeu. O seu desenvolvimento foi extraordinário e, agora, considero que já chegou a um ponto de amadurecimento que lhe permite ter já um lugar de destaque na Europa», salientou.

Também à margem da sessão comemorativa, o responsável da comissão organizadora desta iniciativa revelou ao Diário do Minho que está a ser perspectivada a criação de um novo ramo do curso de Engenharia Biológica na UM que se irá juntar aos dois já existentes que são Tecnologias Ambientais e Tecnologia Química e Alimentar. «Nós vamos perspectivar a breve prazo a criação de um terceiro ramo mais orientado para a Biotecnologia», disse.

Segundo Eugénio Ferreira, esse vai ser um curso mais para lidar com os desafios recentes da biotecnologia, das nanotecnologias e da bionanotecnologia. «A região de Braga está a ser um ponto de atenção no país para a penetração de infra-estruturas ligadas a essa área. Vamos ter aqui na região a criação de um laboratório ibérico de nanotecnologia. O Centro de Investigação de Engenharia Biológica vai integrar uma rede nacional, que é o Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia. E, também recentemente, o departamento de Engenharia Biológica passou a integrar o chamado processo de Bolonha com a MIT, com a criação de um curso doutoral na área da bioengenharia. Portanto, é preparar alunos para lidarem com estes novos desafios que se avizinham nesta região nas áreas da biotecnologia, bioengenharia e engenharia biológica», disse.

Questionado sobre quando poderá começar este novo ramo do curso, Eugénio Ferreira disse que há ainda uma série de formalidades que têm de ser vencidas, o que deverá acontecer ao longo do próximo ano. Assim, se tudo correr como o previsto, 2008/2009 poderá ser o ano lectivo de arranque deste novo ramo.

 

José Carlos Ferreira