Cientistas querem substituto de antibióticos nos aviários

As universidades do Minho, em Braga, e Católica, no Porto, vão desenvolver um projecto inovador para descobrir um fármaco bioactivo que substitua os antibióticos usados nos aviários. A investigação "PHAGEVET-P" começa em Abril e prolonga-se até 2008, no âmbito de um consórcio internacional financiado pela União Europeia (UE) em cerca de 674 mil euros. O objectivo é a segurança alimentar.

Este projecto europeu é coordenado pelo departamento de Engenharia Biológica Universidade do Minho (UM) e tem como parceiros, para além da Universidade Católica do Porto, as universidades de Santiago de Compostela (Espanha) e de Bristol (Inglaterra). Também participam uma empresa inglesa, um centro de investigação estatal da Rússia e a Necton - Companhia Portuguesa de Culturas Marinhas, SA. A investigação envolve gastos na ordem dos 674 mil euros, financiados pela UE, segundo a investigadora da UM, Joana Azeredo.

Esta professora de Engenharia Biológica explica que os vários parceiros se encontram hoje e amanhã, no Porto, e dia 1 de Fevereiro, em Braga, para traçar os pormenores do projecto. Segundo Joana Azeredo o objectivo é utilizar bacteriófagos, também denominados fagos - vírus que se alimentam de bactérias e provocam a sua morte, e podem ser produzidos para utilização em rações ou pulverizados no ambiente dos aviários - como alternativa aos antibióticos em frangos vivos. O objectivo final é a segurança alimentar, evitando que o antibiótico entre na cadeia alimentar e os cidadãos sejam contaminados pelas bactérias Salmonella e Campylobacter que frequentemente infectam os frangos.

O projecto vem responder à "preocupação" da União Europeia relativa à crescente resistência das bactérias aos antibióticos. A ideia é substituir o uso deste medicamento nos frangos pelo fármaco bioactivo produzido com o fago.

Numa fase inicial, os investigadores isolarão os bacteriófagos do ambiente, recorrendo também a fagos armazenados em colecções. Depois de isolados, estes organismos são estudados, caracterizados e, finalmente, testados em animais vivos, com vista à avaliação da sua eficiência no controlo de infecções por bactérias patogénicas que provocam doenças alimentares no ser humano. Após a demonstração da aplicabilidade das terapias fágicas - utilização terapêutica de bacteriófagos - nos frangos, os parceiros do projecto tencionam expandir a actividade a outras áreas de interesse veterinário, como a aquacultura, a pecuária ou outros domínios da produção animal.

Os especialistas acreditam que, uma vez que o consumo de frango é a principal fonte de proteínas animais em Portugal, os potenciais resultados do projecto possam ter grande impacto ao nível da saúde pública e da economia.

Deverão ainda ser estabelecidas formas de produção do fármaco bioactivo substituto dos antibióticos, mas de forma económica, para incrementar a sua utilização nos aviários. O projecto prevê, por isso, o envolvimento de potenciais empresas utilizadoras da tecnologia a desenvolver, nomeadamente produtoras de rações para frangos e de aves de aviários a nível europeu.

[Susana Pinheiro]


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