Prémios CUF distinguem sistema informático para monitorização de ETAR

Os prémios CUF já vão na segunda edição. Este ano o trabalho premiado insere-se na área da engenharia biológica. Um investigador da Universidade do Minho desenvolveu um software de análise de imagem para estudar o estado dos efluentes das estações de Tratamento de Águas Residuais.

Chama-se António Luís Amaral e é investigador do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho. Tem 31 anos e passou grande parte da última década a investigar métodos para analisar a qualidade dos efluentes das Estações de Tratamento de Águas Residuais. É no laboratório da universidade que o investigador faz grande parte do seu trabalho. “No fundo é para obter um método que nos permita monitorizar as ETAR’s, nomeadamente ao nível das condições nos tanques de arejamento” explica António Amaral e acrescenta que “com estes métodos podemos obter parâmetros que nos indicam se a ETAR está a funcionar bem ou não”.

Para realizar o trabalho António Luís Amaral recolheu biomassa em ETAR’s minhotas. As amostras resultam de dois tipos de tratamentos diferentes. Um onde a biomassa é tratada ao ar livre nos chamados tanques de arejamento, e os detritos estão em contacto com o ar. A este processo dá-se o nome de Aeróbio, no outro, no tratamento Anaeróbio, a biomassa está fechada em digestores e não existe qualquer contacto com o exterior.

O objectivo do projecto não passa apenas pela aquisição de imagens das diferentes amostras de biomassa por isso, foi necessário criar condições especiais em laboratório.

As diferentes amostras de biomassa são sujeitas ao chamado sistema de análise e processamento de Imagens. Com a ajuda do microscópio e do programa informático utilizado pelo investigador, consegue-se identificar com bastante precisão, os parâmetros morfológicos dos protozoários e quantidade de bactérias filamentosas que indicam o estado de funcionamento da ETAR. Com este sistema, a monitorização da estação de tratamento passa a ser mais fiável do que com os métodos até agora utilizados. António Amaral acrescenta que “isto funciona no fundo como um sinal de alarme prévio antes que aconteça alguma coisa mais grave e até irreversível

O trabalho de investigação está concluído e pronto para ser testado em diferentes estações de tratamento de águas residuais. Mas a sua utilização generalizada implica um investimento em equipamentos específicos. Um gasto que se pode traduzir num maior rigor no controlo dos efluentes provenientes de ETAR’s.

Fernando Paula


Related Content