As ETAR em Geral Têm Fraco Controlo de Qualidade

Quem o diz é o investigador António Luís Amaral, do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (UM), que recebeu anteontem o Prémio CUF (Companhia União Fabril), pela melhor tese de doutoramento em engenharia química com aplicação na indústria nacional.

Por NUNO PASSOS Sexta-feira, 02 de Julho de 2004

As estações de tratamento de águas residuais (ETAR) em Portugal têm, em geral, fraco controlo de qualidade. Quem o diz é o investigador António Luís Amaral, do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (UM), que recebeu anteontem o Prémio CUF (Companhia União Fabril), pela melhor tese de doutoramento em engenharia química com aplicação na indústria nacional. O concurso contou com trinta concorrentes e destacou no "top ten" outros dois peritos do Centro de Engenharia Biológica minhoto.

O especialista de 31 anos e natural de Oliveira de Azeméis dedicou os últimos três anos à análise informática de imagens dos efluentes das ETAR, com vista ao seu diagnóstico, supervisão e controlo. A sua tese, que foi premiada com cinco mil euros, avança com uma forma de melhorar a qualidade final dos efluentes e poupar custos de manutenção, ao identificar e corrigir antecipadamente problemas de sedimentabilidade das lamas e de granulação, entre outros aspectos, através de indicadores como carga, tamanho ou oxigenação.

"As ETAR em geral têm fraco controlo de qualidade, principalmente as industriais, há um óbice à aplicação de laboratórios de análise apetrechados. Esse processo traz custos elevados de manutenção e não contribui para um ambiente saudável", afirmou Luís Amaral ao PÚBLICO. Segundo o perito, a temática "tem duas décadas, por isso ainda é nova", daí que haja "toda uma busca de acções, de conhecimentos que não estão consolidados e têm vindo a evoluir, a par de mais investimentos e mais estudos", do qual o seu faz parte.

Dessa forma, já estabeleceu contactos preliminares para a eventual implantação do seu "sistema inteligente" com a Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Agere (Empresa de Águas, Efluentes e Resíduos de Braga). A Agere foi, juntamente com a Unicer (União Cervejeira), sediada em Leça do Balio, onde Amaral desenvolveu a sua investigação.

Luís Amaral é um dos pioneiros nacionais do assunto, tendo começado as pesquisas em 1996, no término da licenciatura em Engenharia Biológica, na UM, por sugestão do docente e orientador Eugénio Ferreira. Em 1999, concluiu o mestrado em Engenharia Biológica. No ano passado, obteve, ainda na mesma academia, o doutoramento em Engenharia Química e Biológica, com uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e estágios no Laboratoire des Sciences du Génie Chimique de Nancy, na França.

O seu trabalho foi já apresentado em 13 artigos de revistas internacionais e em 17 comunicações e 18 artigos de congressos internacionais. Nos próximos dois anos, Amaral vai aprofundar a investigação na área, novamente com apoio da FCT, dividindo o tempo entre a Universidade do Minho e a Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança, onde é docente.


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