Tratamento de águas residuais ainda requer forte fiscalização

Apesar da evolução de algumas mentalidades, o funcionamento correcto e regular dos sistemas de tratamento de águas residuais industriais ainda requer uma forte fiscalização por parte das entidades responsáveis.
A constatação é da bióloga Gabriela Ribeiro, do Departamento de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (UM), que, juntamente com técnicos da AGERE – empresa responsável pela drenagem e tratamento de esgotos em Braga — e investigadores da UM, desenvolveu, de Abril a Junho de 2000, um levantamento sobre a descarga de águas residuais das empresas sediadas nos Parques Industriais de Adaúfe e Celeirós, no concelho de Braga.

A académica defende que a melhoria da situação passa por uma maior vigilância e controle das empresas em laboração, pois as questões ambientais ainda são encaradas, na maioria dos casos, como questões que apenas servem para gastar tempo e dinheiro.

As considerações de Gabriela Ribeiro foram proferidas no âmbito de uma sessão sobre “Águas Residuais e drenagem urbana”, inserida no X Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e X Encontro Nacional de Saneamento Básico, que decorre até quinta-feira, na UM.

A especialista lembrou que a actividade industrial está, inevitavelmente, ligada a uma certa degradação do ambiente, uma vez que não existem processos de fabrico totalmente limpos.

A perigosidade das emissões industriais varia conforme o tipo de firma, matérias primas usadas, processos de fabrico, produtos ou substâncias produzidas, pois utilizam componentes que afectam os ecossistemas.

Segundo a bióloga, a concentração de empresas em áreas geográficas limitadas provocam casos específicos e localizados de poluição.

Por isso, os parques industriais exigem uma maior vigilância e a existência de infra-estruturas adequadas de controle, que proporcionem o combate aos níveis cumulativos de contaminação da natureza.

Em seu entender, as empresas responsáveis pelas redes de saneamento têm, em relação às águas residuais, importantes competências, pois podem permitir a ligação destes efluentes às redes de drenagem municipais, definindo a qualidade e as condições das descargas efectuadas.

Relativamente aos Parques Industriais de Celeirós e Adaúfe, que dispõem de uma estação de tratamento cada (ETAR), a equipa de técnicos da AGERE e investigadores da UM inferiu que a indústria metalúrgica prevalece maioritariamente nos dois parques, o que determinou uma maior representatividade, no que respeita à produção de efluentes resultantes desta actividade.

O grupo concluiu que, de um modo geral, houve uma evolução nas infra-estruturas e em algumas formas de pensar, devido aos melhoramentos que aquelas unidades industriais, construídas em diferentes alturas.

As alterações verificaram-se, sobretudo, pela mudança de processos produtivos mais amigos do ambiente e pela implementação de sistemas de tratamento e reutilização de resíduos gerados.