Bebidas e Alimentação

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ENGENHARIA BIOLÓGICA

Com base no Ramo Tecnologia Química e Alimentar, este recente curso constitui uma das plataformas de pesquisa e melhoramentos introduzidos na cadeia produtiva de toda a Indústria Alimentar da região norte do país.

O Departamento de Engenharia Biológica, unidade responsável pela Licenciatura em Engenharia Biológica, possui actualmente 18 docentes em dedicação exclusiva, embora só quatro estejam directamente envolvidos na Formação Específica do Ramo Tecnologia Química e Alimentar. É que, conforme salienta José Teixeira, director do departamento de Engenharia Biológica, somente um terço dos alunos desta licenciatura optam pelo ramo de Tecnologia Química e Alimentar.

Com uma forte componente prática, esta licenciatura consagra cerca de 40 por cento do número total de horas lectivas a aulas em laboratórios. Convém salientar que o Departamento de Engenharia Biológica conta com oito laboratórios sendo um deles dedicado a trabalhos específicos de Tecnologia Química e Alimentar.

Da utilização e aplicação destes recursos materiais resulta um conjunto de pesquisas desenvolvidas em áreas que vão da segurança alimentar (ex.: micotoxinas em alimentos) à aplicação de novas tecnologias passando pelo sector dos vinhos e bebidas (aromas e compostos fenólicos em vinhos, processo contínuo para produção de cerveja) ou dos lacticínios (valorização do soro de queijo, produção de queijo em contínuo) e indústria do açúcar.

À luz das afirmações do director departamental de Engenharia Biológica, existe da parte do departamento um profundo empenhamento em colaborar com empresas do sector, quer recorrendo às empresas para auxiliarem na formação dos estagiários quer realizando projectos de investigação e desenvolvimento em associação com as empresas (como é o caso da FRULACT, Quinta dos Ingleses, Lacticínios Halos, RAR ou com a Adega Cooperativa de Ponte da Barca). Colaborações pontuais são também estabelecidas com empresas para resolução de questões por elas levantadas.

A tónica dada a este tipo de parceria com a realidade que os actuais estudantes irão integrar após a finalização dos seus cursos também é visível na integração de um estágio de um semestre no final da formação académica como também se encontra muito presente nas respectivas formações dos docentes do departamento.

Já em termos de mercado de emprego, a maioria dos jovens aqui formados, cujos primeiros finalistas entraram no mercado de trabalho há cerca de 12 anos, acabam por integrar sectores que vão da indústria cervejeira até às massas alimentares, passando pela indústria de panificação e lacticínios, para além de que a taxa de empregabilidade desses jovens é quase total.

Por último, uma das matérias que tem merecido uma atenção crescente por parte deste departamento está relacionada com a questão do controle e segurança alimentar, que é sem dúvida uma das grandes preocupações do Sector Alimentar.

Sabe-se, com efeito, que apesar de todos os esforços para assegurar a segurança dos alimentos, continuam a ser elevados os problemas existentes.

Os números a seguir apre são prova evidente da importância do controlo e segurança alimentar já que o número de doenças relacionadas com o consumo de alimentos (nos EU / por ano) é de 6.5 a 33 sendo que dois a quatro milhões por Salmonela.

Desses casos, o número mortais eleva-se a 9.100 o que equivale a custos que vão de 5.6 a 9.4 biliões de dólares com custos médicos que se elevam a valores da ordem dos 2.3 a 4.3 biliões de dólares, isso, sem contar uma diminuição da produtividade compreendida entre 3.3 e 5.1 biliões de dólares.

Associando estes elementos com o conhecimento de novas tecnologias para o processamento de alimentos (altas pressões, ionização, aquecimento óhmico...), a necessidade do aumento de produtividade dos processos existentes, a alteração de hábitos alimentares e o aparecimento de novos microrganismos (não só geneticamente modificados) resulta a necessidade de desenvolvimento e implementação de metodologias que assegurem o controle dos produtos alimentares.