Portugal sem laboratórios para identificar transgénicos

Se se quiser fazer em Portugal um rastreio sobre produtos que contém organismos geneticamente modificados (OGM’s), mesmo os previstos na legislação, não existem laboratórios para fazer esse tipo de análises.
Os próprios comerciantes não têm meios para assegurar que os produtos que colocam à venda não contêm OGM’s. A constatação é do director geral de Fiscalização da Qualidade Alimentar, João Ribas.
A questão dos alimentos geneticamente modificados, conhecidos como transgénicos, foi levantada no âmbito de uma acção de sensibilização sobre qualidade alimentar , realizada ontem pelo Departamento de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, dirigida à administração pública, associações comerciais, industriais e empresariais e entidades privadas de restauração e hotelaria.
Os OGM’s podem entrar em composição de alguns produtos, havendo, no entanto, um limite estabelecido pela legislação. Em Portugal, não é sequer possível averiguar se o limite é ou não respeitado. Consensual é que o consumidor deve ter o direito de optar  entre produtos geneticamente modificados ou não.
João Ribas acredita que até final do ano disporá de alguns meios para combater este tipo de situações, que neste momento não poderá sequer ser reprimido.
Cerca de 77 por cento dos casos de contaminação alimentar ocorre em restaurantes  e afins. A habitação é o espeço onde acontece 20 por cento destas situações, sendo que apenas três por cento se dá nas unidades industriais.
Muitas pessoas não atribuem os seus problemas de saúde a contaminação alimentar. Só quando os sintomas persistem ou se agravam é que consultam o médico e a situação fica registada. A mudança de estilo de vida, donde decorre um cuidado cada vez menor com a alimentação contribui em grande parte para o aumento da (in)segurança alimentar, lembrou José Teixeira , docente do Departamento de engenharia Biológica . Cada vez mais as pessoas ingerem comida feita fora de casa.
O aparecimento de novas variedades de microorganismos é outro factor de insegurança. Por outro lado, há actualmente um maior feed-back do que acontece. José Teixeira sublinhou que “a qualidade só funciona se houver reponsabilização ao longo de toda a cadeia do produto”, o que passa também por formação e informação adequadas.
A implementação de sistemas de análise rápidos que permitam uma detecção e solução atempada do problema foi um dos caminhos propostos, a par do desenvolvimento de novas técnicas de processamento alimentar.

Qualidade alimentar mais fiscalizada
As recentes acções de fiscalização, que abrangem um total de 5 673 operadores económicos, resultaram na instauração de 436 processos e na aplicação 876 coimas.
Destaca-se a apreensão de 2 701 toneladas de produtos vegetais e 3 709 toneladas de proutos animais.
Os lacticínios, nomeadamente o leite pasteurizado ou em pó e o queijo, a que junta o chocolate, são os produtos mais associados a contaminações alimentares.

Vários factores de contaminação
Entre os principais perigos para a saúde através dos alimentos, José Teixeira apontou os microorganismos toxinogénicos e patogénicos; a má nutrição; a contaminação ambiental; os produtos tóxicos naturais dos alimentos; os resíduos pesticídas e os aditivos alimentares. São, todavia, os microorganismos os principais factores de contaminação.

Armazenamento: maiores cuidados
A maior percentagem de toxinfecções alimentares é consequência de temperatura insuficiente no armazenamento dos alimentos.
Um espaço de tempo de 12 ou mais horas entre a preparação e o consumo dos alimentos está na origem de 31 por cento das toxinfecções, seguindo-se os manuseadores/portadores infectados.

Podem ainda referir-se factores como alimentos/ingredientes crus contaminados e a inadequada limpeza de equipamentos e utensílios.
 Higiene pessoal no combate

 A higiene pessoal, às vezes, é suficiente para combater focos de contaminação. Este foi um dos factores realçados por Armando Venâncio, docente do Departamento de Engenharia Biológica da UM.
A contaminação do alimento pode resultar do contacto com superfícies ou do contacto com o trabalhador. O próprio ar é veículo de contaminação.
Armando Venâncio lembrou que na pele se encontram sempre microorganismos: alguns residentes outros temporários.
Medidas preventivas como lavagem regular das mãos, utilização de anti-sépticos; protecção para o cabelo; máscara facial; vestuário apropriado e instalações sanitárias adequadas foram defendidas por este docente do Departamento de Engenharia Biológica.

Custos das doenças alimentares
Nos Estados Unidos da América, registam-se por ano 9 100 casos mortais por doenças de origem alimentar.
Trata-se de um país cuja média por doença alimentar por ano oscila entre os 6,5 e os 33 milhões , sendo dois a quatro milhões provocados por “salmonella”.
Os números foram apresentados por José Teixeira, docente do Departamento de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, que se referiu ainda aos custos que lhes estão associados, quer médicos, quer por diminuição da produtividade, avaliados entre cinco e nove biliões de dólares.