V Congresso de Biotecnologia tece críticas

São cada vez mais e, proporcionalmente, “há cada vez menos dinheiro”. Querem desenvolver as suas investigações e queixam-se que as empresas “batem-lhes com a porta na cara”. Para divulgar as seus trabalhos têm de recorrer a publicações estrangeiras porque “em Portugal, as existentes, para além de serem restritivas, têm sómente carácter pedagógico”.
Estes foram os principais reparos deixados pela comunidade científica no V Encontro Nacional de Biotecnologia que decorreu em Braga, nos últimos quatro dias, proporcionando aos cerca de 500 participantes “uma das raras oportunidades para tomar conhecimento dos trabalhos que se estão a desenrolar” nos diversos campos, como referiu Álvaro Fonseca, da Universidade Nova de Lisboa.

Com 200 comunicações, algumas em forma de painel, este congresso foi classificado por Manuel Mota, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Biotecnologia entidade organizadora, em colaboração com a Universidade do Minho, como “o encontro mais dinâmico de sempre”.

No entanto, nem tudo foi objecto de consenso. Uma das questões que suscitou alguma polémica foi a da relação investigação-indústria. Para Salomé Pais, da Faculdade de Ciências de Lisboa, o relacionamento empresa-universidade “não passa de um diálogo de surdos” porque a massa empresarial portuguesa “de vistas curtas” , continua a apostar na compra de tecnologia estrangeira. Uma posição contestada por Pereira Carlos, do CIPAN, para quem ”o problema reside na relação entre os investigadores das universidades e os das empresas, sendo necessário provocar o diálogo que não existe na comunidade científica”.

O próximo congresso será segundo se espera, luso-espanhol e decorrerá em Santiago de Compostela, em Setembro de 1992.

- Felisbela Lopes