Biotecnologia ao encontro da Região Norte

Investigação ligada à vinha e ao vinho verde um dos programas em curso na área de Biotecnologia da Universidade do Minho. Mas a investigação nesta Universidade abrange ainda outros campos em que a ligação à actividade produtiva e empresarial da região é já uma realidade.
Grande parte da vitalidade de que a Universidade do Minho, criada em 1974, dá hoje provas,  passa exactamente por esse voltar-se para o exterior e por querer ser um pólo de desenvolvimento numa vasta área nortenha. Importa, assim, referir com mais pormenor alguns aspectos da investigação em Biotecnologia na Universidade do Minho, a sua licenciatura em Engenharia Biológica. Em 1991 sairão os primeiros licenciados nesta área, que têm como coordenador o prof. Engº Luis Melo.

A licenciatura em Engenharia Biológica na Universidade do Minho prepara engenheiros para as indústrias onde predominam os processos biológicos e químicos: indústrias alimentares, fermentativas ou não, industrias químicas e afins, indústria farmacêutica, indústrias de tratamento de resíduos.

O curso, de 5 anos, arrancou em Outubro de 1986 com o Ramo-Tecnologias e Processos Químicos e Biológicos-, estando previsto o lançamento do Ramo-Microbiologia Industrial em 1991. Os dois ramos fornecem uma formação em engenharia no essencial semelhante, embora o primeiro esteja mais dirigido ao projecto e controlo do equipamento de fabrico e o segundo para os estudos e análises laboratoriais. O “numerus clausus”  é, actualmente, 30.

Na estrutura do curso, após um primeiro ano em que predominam as ciências básicas fundamentais (Matemática, Física e Química), surgem, nos 2º e 3º anos, os dois grande suportes da formação em Biotecnologia – as Ciências Biológicas e a Engenharia Química.

A especialização no 4º e 5º anos resulta da convergência destes dois vectores, através do desenvolvimento de temas como as Tecnologias das Fermentações e da Purificação de Produtos Biológicos, e Engenharia Enzimática, os Tratamentos de Água e de Efluentes Industriais, a Engenharia Genética e o Controlo Automático dos Processos de Fabrico.  Os estudantes podem ainda escolher diversos temas de um leque de disciplinas opcionais centradas na Indústria Alimentar (Enologia, Lactícinios, Controlo de Qualidade Alimentar, etc.), na Gestão Energética e na Poluição. No último semestre do curso, os alunos realizaram um estágio industrial, orientado por docentes da Universidade e por técnicos da indústria.

Biotecnologia: ligação ao exterior
No campo da investigação em Biotecnologia, sem prejuizo de outros projectos, já em desenvolvimento, o objectivo, nesta fase inicial – refere-nos o engº Luis Melo – “foi concentrar esforços em sectores de reconhecida importância no desenvolvimento da região em que a Universidade está inserida”.

Assim, os programas de investigação e desenvolvimento, existentes desde 1984 apresentam, no momento, duas linhas de força principais: os problemas ligados à vinha e ao vinho verde e as questões ambientais, em particular o tratamento e recuperação de esgotos industriais e domésticos por via biológica.

Decorre ainda um projecto de interesse para a identificação de elementos causadores de doenças nas plantas (incluindo a videira), intitulado “Caracterização bioquímica de nemátodos.

O outro grupo de projectos preocupa-se com os problemas ambientais resultantes da actividade produtiva em diferentes sectores industriais (têxtil,alimentar,celulose, etc.), envolvendo também a recuperação de produtos de interesse contidos nos efluentes.

Cooperação com o exterior
 A cooperação com o exterior, na UM, processa-se a nível do ensino, da investigação, e de orgãos específicos da Universidade. No primeiro, refira-se a colaboração, em disciplinas de especialização, de docentes dos Departamentos de Engenharia Química da Faculdade de Engenharia do Porto, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, de Campinas, S.Paulo, Brasil.

Técnicos e gestores de empresas darão a sua contribuição em seminários dedicados a questões de interesse em empresas em que os futuros licenciados vão trabalhar.

A participação directa das empresas na formação destes engenheiros, através de estágios, é outro dos  pontos importantes de cooperação Universidade-Indústria.

Por seu turno, a nível de investigação, registe-se, em projectos da vinha e do vinho, a colaboração de investigadores da Faculdade de Ciências de Lisboa, do Instituto Gulbenkian de Ciência, da Adega Cooperativa de Ponte de Lima e ainda (no tratamento de efluentes) da D.G. da qualidade e do Ambiente, do LNETI, da Universidade de Estugarda e da empresa “Dupermo”. Há ainda cooperação com investigadores do Reino Unido, da JNICT e do INIC.

Finalmente a comissão «ad hoc» para a Biotecnologia, criada pelo Senado da UM, integra elementos das Universidades do Porto, Católica e da Direcção Regional de Agricultura.